BLOG INSTÁVEL
Sábado, 2 de Junho de 2012
INSÓNIA
Terça-feira, 29 de Maio de 2012
PORTUGAL DOIS MIL E QUANDO?
Os grandes eventos nos quais a Cultura desempenhou um papel catalisador da sociedade portuguesa — Europália 91, Lisboa 94, Expo 98, Porto 2001, aos quais se junta, com menos fragor, Guimarães 2012 —, são grandes oportunidades desperdiçadas — e irrepetíveis, a médio prazo —, para enraizar na própria sociedade portuguesa a ideia de que a cultura é indissociável do seu índice de desenvolvimento, seja sob que prisma for que a ideia de desenvolvimento ou de sociedade portuguesa se considere. Quisemos mostrar ao mundo que tínhamos cultura, e fingimos que a acarinhávamos, que a protegíamos e que lhe dávamos condições de sustentabilidade. Foi um bluff, para impressionar os estrangeiros. Bastou, por exemplo, ser outro senhor ganhar as eleições autárquicas na segunda cidade do país, e dezenas de actores do Norte mudaram-se para Lisboa, em êxodo, a tentar a sua sorte. Fingimos que também éramos um país que prezava as artes, mas, quando a festa acabou, mandámos os artistas para casa, depois de lhes pagar, a contragosto, um cachet — que sempre achámos que os artistas não merecem. E desse enorme parque de ideias, de aprendizagem, de material, de meios e de recursos, o que sobrou? Apenas a ideia peregrina de que era preciso criar cursos e mais cursos de gestores culturais e de programadores, essa coisa bonita que nem os próprios sabem exactamente o que é, e que dá direito a gabinete e ao exercício de um vago poder discricionário que, em regra, ou canaliza mais meios para aqueles que já dispõe de meios (o conhecido efeito potenciador), ou trata de impedir que as populações tenham acesso à oferta artística diversificada a que teriam direito, mas de que o seu curador não gosta. Não pergunto já se muitas comunidades locais e as autarquias se demitiram de pensar a coisa cultural graças a uma espécie de sub-contratação de políticas culturais. A pergunta é: para que são precisos tantos gestores culturais, se não há nada para gerir? Investiu-se, como sempre nos burocratas — esclarecidos, depreende-se —, em desfavor no investimento nos criadores. Na verdade, esses grandes eventos nacionais foram oportunidades de ouro para fazer sentir à sociedade como a cultura é preciosa, e para estimular na sociedade a partilha de responsabilidades no respeitante à cultura, fomentando, por exemplo, o mecenato, criando condições para que as empresas se envolvessem com o tecido cultural, em vez de se limitarem a apoiar uma ou outra companhia de música ou dança de referência, ou um qualquer grande museu. A verdade é que, ontem como hoje, as empresas encaram o apoio a uma pequena companhia de teatro ou dança como algo parecido a descer muito baixo — descer até onde os artistas estão, é o que isso quer dizer. Perante isto, é óbvio que o subsídio — o financiamento público das artes —, continua a ser não apenas necessário, como o é sempre e em todo o caso, mas também imprescindível. A sociedade portuguesa, através do seu tecido empresarial, é incapaz de apoiar os seus artistas, mesmo que isso signifique pagar menos impostos, porque a verdade é esta: não os grama! Não os grama, não os aprecia, não os entende e não se quer misturar com eles. Poderia dar aqui exemplos caricatos de grandes instituições que, após negociações singelas, se ofereceram para apoiar projectos teatrais com... duas ou três dezenas de euros! Este tipo de exemplos é absolutamente factual, e indicador do estado paleolítico em que a relação abstracta das artes com a sociedade se encontra no nosso país. Perdida a oportunidade dos grande eventos, é sintomático que, com tantos gestores culturais formados ao longo dos últimos anos, não se ouça nenhuma voz a alertar para o estado insustentável a que se chegou. A razão é simples: esses gestores sabem gerir, melhor ou pior, os recursos, por escassos que sejam, quando os há, mas não estão preparados para lidar com a crise dos recursos, que é não é apenas uma crise do nosso sistema político: é uma crise basilar da nossa sociedade, na medida em que desafia a própria ideia de sociedade em que imaginamos viver. O seu silêncio é ensudercedor, para usar uma imagem demasiado puída. Mas a luta e o protesto contra este inaceitável estado de coisas não se enquadra, aparentemente, nas suas funções.
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
A CULTURA SEGUE DENTRO DE UMA DÉCADA
Terça-feira, 15 de Maio de 2012
NOS 90 ANOS DAS APARIÇÕES...
Domingo, 29 de Abril de 2012
TÉCNICA DA MÁSCARA — MASK TECHNIQUE
Fim-de-semana de workshop de Técnica da Máscara orientado por André Gago, e organizado pela Metamorphose — Centro de Divulgação Artística, do Cabeção, no Alto Alentejo. Foram 12 horas de formação nestes dias 28 e 29 de Maio, inseridas no Festival Encontr’Arte 2012, durante as quais abordámos o essencial da Técnica enquanto linguagem que utiliza o corpo como elemento expressivo, com recurso à improvisação e à pantomima. No segundo dia, as máscaras neutras e da Commedia dell’Arte fizeram a sua entrada. Avançámos no sentido da improvisação, e pudemos ainda assistir a saborosas primeiras improvisações de um Doutor e de um Polichinelo (com máscaras do escultor italiano Renzo Antonello).
This weekend, a new Mask Technique Workshop oriented by André Gago took place in Cabeção (Alentejo, Portugal), organized by Metamorphose, a local artistic association. During a total 12 hours workshop, we approached the essential mask techniques that help actors use their body in a expressive way, to improvise and to perform pantomime. In the second day, Neutral and Commedia dell’Arte mask made their entrance. We moved on in improvising according to the technique, and had the chance to see a Dottore and a Pulcinella (with masks by italian sculptor Renzo Antonello).
Segunda-feira, 23 de Abril de 2012
cloud extensions as seen through the aircraft window
almost incandescent surface of what seems to be a infinite icy plateau groined over
bottomless abysses. The corporeal clouds turned in a imaginary desolated topography,
though inhabited by the dreams likelihood. This could be the consciousness ocean planet
of Tarkovskyʼs Solaris. Or it could be the impregnable Walhalla, or the magical shelter of all
Northern mythologies. This landscape, however, truly exists, apparently made of water
enduring his pregnancy of the coming rain. Nevertheless, it is made of such stuff as
dreams are. Therefore, each thing is what it is, but his precise definition depends on the
observer. In the end, the observer is the measure of all things. The observed things,
however, should therefore fear their scope of possible names or adjectives to be reduced,
because they have been nominated in a mutual agreement among the observers trough a
common tool named language. Sugar is not knife, menstruation is not wine. But, again,
therefore isnʼt language bigger than reality? It is so, because, in order to define each
single thing, she has to define not only the possibility of his contrary but be aware of all the
words that each word, for the fact that we choose to use it, excludes. Menstruation is not
wine, for instance, implicates also that menstruation is not aircraft, isnʼt gulag either, nor
pudding, nor priesthood. The full catalogue of the contraries and of everything that a
specific thing is not reveals itself to be a inebriant process. One shouldnʼt therefore feel no
awkwardness before the fact that language, taking possession over everything that it
describes, gains a powerful freedom. Language is a prodigy because, through the very
same abstract process by whom it was generated, it allows us to say that a white cloud is
a stain of blood. The purest essence of language contains the wondering absence of
meaning, witch is the very secret ingredient of the verbʼs alchemy. Shakespeare would say
that a rose would still be a rose by any other name. Gertrude Stein told us a rose was a
rose was a rose was a rose. Meanwhile, we unfortunately came to know the rose of
Hiroshima, with no rose in it, nor perfume, or nothing. This rose was depicted by brazilian
poet Vinicius de Moraes, in this arm of our linguistic galaxy that we by convention use to
call portuguese.
A. Gago
(Notes to the trip to Budapest, April 2012)
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)

